Libertadores 94: O recomeço
Depois de perder a final da Libertadores de 1977 e passar pela pior década da história celeste (80), o Cruzeiro voltou a brilhar cada uma de suas cinco estrelas vencendo o Grêmio pela Copa do Brasil de 1993 e classificando-se para a Libertadores do ano seguinte.
Nota-se que o time de 1993-1994 com Nonato, Dida e Ronaldo era um bom time, ficamos 26 jogos invictos no Mineirão, ganhamos o Campeonato Mineiro de 1994 invictos batendo a “temida ‘Selegalo’” . Mas ainda assim havia quem duvidasse do time para o difícil grupo da Libertadores.
No grupo: seu carrasco da última participação: Boca Juniors, além de Velez e Palmeiras. O “desacreditado” Cruzeiro ficou em segundo lugar com 7 pontos: 3 vitórias, 1 empate e 2 derrotas¹.
A estréia do Cruzeiro, em 2 de Março de 1994, foi uma derrota por 2 x 0 para o Palmeiras, no Palestra, incendiando ainda mais a mídia e suas argumentações de que o time era um mero figurante. Contra o Velez, no Mineirão, apenas empatou por 1 x 1, depois foi à Argentina consagrar-se um dos únicos cinco times brasileiros à bater o Boca Juniors dentro do estádio (ou caldeirão) La Bombonera, por 2 x 1.
Foi aí que a campanha celeste melhorou, seguiu-se uma vitória por 2 x 1 sobre o Palmeiras (vídeo), no Mineirão, uma derrota para o Velez na Argentina (2 x 0) e outra vitória contra o Boca Juniors também por 2x1, no Mineirão. Entenderam porque somos o único time brasileiro que faz “o coração deles tremer”?
Lembrando que no jogo contra o Boca, na Argentina, houve o magnífico gol de Ronaldo: dominou a bola no meio-campo saiu em velocidade para o ataque passando por quatro adversários e engavetou na rede. Mais tarde, o garoto seria convocado merecidamente pra sua primeira Copa do Mundo.
Classificaram-se Velez e Cruzeiro como primeiro e segundo colocado do grupo, além de Palmeiras como “melhor terceiro colocado” para enfrentar o campeão do ano anterior (São Paulo).
O Cruzeiro enfrentou o Unión Española, do Chile nas oitavas-de-final. O time vinha com o título de bi da Copa do Chile 1992/1993 e uma campanha parecida com a do Cruzeiro naquela edição da Libertadores.
A distância daquela geração de 67 e 77 para a de 94 era grande demais para os aprendizados terem sido transmitidos entre eles, o time tinha tradição, mas o grupo não. Tudo estava recomeçando do zero, havia a inspiração do time de 76, a angústia do time de 75 e 77, mas os jogadores não tinham vivenciado aquilo, nem recebido o conselho de quem vivenciou. Ainda assim, era um bom time que buscava pelo título, e a experiência sul-americana vinha do bi da Supercopa 91/92.
Fomos então enfrentar o Unión Española, em Santiago. Jogo difícil de muitas oportunidades para os dois times, mas os anfitriões venceram por 1 x 0. Uma vitória contestável: o atacante Carreño, ajeitou a bola com a mão antes de concluir o gol.
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| Time do Cruzeiro antes do jogo de volta, no Mineirão. Em pé: Paulo Roberto, Dida, Célio Lucio, Rogério Lage, Luizinho e Nonato. Agachados: Ademir, Ronaldo, Catê, Luiz Fernando e Roberto Gaúcho.) (Imagem e informações do Almanaque do Cruzeiro |
Na quinta-feira seguinte o Cruzeiro recebeu o Unión Española no Mineirão precisando de uma vitória por dois gols de diferença, ou 1 x 0, para levar aos pênaltis. Não parecia difícil levando em conta a invencibilidade do time em casa, que só seria batido 9 jogos depois deste. De olho na vantagem que tinha adquirido em casa o Unión segurou as pontas e não deixou o time azul marcar, terminou em 0 x 0. Outro fim triste: o Cruzeiro desclassificado nas oitavas-de-finais da LA94.
Até hoje Cruzeiro e o “mais antigo time chileno” não se enfrentaram novamente, permanecendo assim um tabu sem chances de revanche. E caso voltem a se enfrentar um dia as manchetes serão “Time mineiro nunca bateu o time chileno”. Apesar do gol irregular por lá, a história que fica gravada é que perdemos por 1 x 0 e empatamos por 0 x 0 aqui.
Dali aprendemos a nos reerguer, redescobrimos que nomes não ganham jogo. Um bom time, mas não soube aproveitar da maneira certa a oportunidade que teve. Era o fim da era “era Masci” (1985-1994) na presidência do time, dando vaga para começar no ano seguinte a “era Perrella” que finalmente conquistaria o bi.
¹As vitórias valiam 2 pontos e empate 1.
Originalmente postado em Blog do Cruzeirense
