Libertadores 75 – Agora sim, aprendemos.
A segunda classificação do Cruzeiro para a Libertadores foi em 1970 após ficar – por um gol a menos – como vice da Taça de Prata 1969, mas as participações brasileiras foram vetadas naquele ano, adiando a segunda participação do time para 1975.
Aquele histórico time que bateu o Santos de Pelé já havia se desmanchado, restando apenas Raul, Piazza, Zé Carlos e Dirceu Lopes. Por outro lado, Nelinho havia sido comprado, além de contar com ótimos jogadores da base como Joãozinho, Palhinha e Roberto Batata. O time era tri-campeão Mineiro, contava com o técnico Ilton Chaves desde julho de 1972.
Fase de Grupos
O grupo Brasil-Colômbia, além de Cruzeiro e Vasco, contava com Atlético Nacional e Deportivo Cali, apenas o primeiro colocado avançaria. Ainda restava um gostinho amargo da final de 1974 entre Cruzeiro e Vasco, depois de tanta confusão e roubalheira.
O primeiro jogo do grupo foi contra o Vasco, a partida foi muito disputada e terminou em 3x2 para o Cruzeiro, com gols de Palhinha (2) e Nelinho. O segundo jogo foi uma derrota de 1x0 para o Deportivo Cali, na Colômbia. Ainda na Colômbia, o time reagiu e venceu o Atlético Nacional.
O Cruzeiro voltou para o Brasil, onde enfrentaria o Vasco, em São Januário. O time carioca precisava de uma vitória para manter esperanças na disputa pelas semi-finais. Em tom de revanche, o time celeste acabou com os sonhos vascaínos! Quem viu, ou ouviu a partida, conta que o Cruzeiro "foi muito superior e jogou sozinho o tempo todo, se não venceu a partida foi por causa da torcida alvinegra ou por falta de sorte". O jogo terminou em 1x1.
Os outros dois jogos contra os times colombianos foram jogados no Mineirão, resultando em uma derrota de 3x2 para o Atlético Nacional e uma vitória 2x1 sobre o Deportivo Cali, consagrando a difícil classificação.
Semi-finais
Mais uma vez chegávamos às semi-finais, os adversários do Grupo 2 seriam os times argentinos Rosário Central e Independiente. Se não chegamos à final foi justamente por descobrirmos o quanto a tradição era válida naquela competição, o tri-campeão Independiente levaria a vaga e o tetra. Os três times ficaram com a mesma pontuação cada um: 4 pontos. E a vaga foi decidida pelos critérios de desempate.
Cruzeiro 2 x 0 Rosário (21/05/1975)
Eram 42.500 torcedores no Mineirão para ver acompanhar a derrota do Rosário. Logo no começo, aos 3’ Palhinha marcou o 1 x 0 depois de um cruzamento de Dirceu. O Cruzeiro manteve a pressão pelos primeiros 15 minutos, sem voltar a marcar. Passados os minutos iniciais o time celeste mantinha a posse de bola e o volume de jogo, mas passou a criar poucas chances de gol.
No segundo tempo, o jogo esteve equilibrado com quatro chances claras de gols, duas pra cada lado. A primeira aos 3’ num escanteio adversário que Raul espalmou pra linha de fundo. Aos 22’ para o Cruzeiro, com Joãozinho mandando pra fora. Aos 24’, uma chance que foi aproveitada por Palhinha que marcou seu segundo gol da partida decidindo o jogo, depois de um lançamento de Piazza, um lindo gol. A última chance foi aos 30’ quando foi marcado um pênalti, Kempes bateu para Raul defender.
Cruzeiro 2 x 0 Independiente (23/05/1975)
O número de torcedores era ainda maior, 46.136, o time adversário era mais difícil. Não que o Rosário fosse fácil, mas a tradição do Independiente podia decidir a partida. Os argentinos começaram a pressão nos primeiros minutos, aos 3’ com Bochini lançando para Rojas que perdeu uma grande oportunidade, mandando pra fora. Assustado com a ameaça o Cruzeiro reagiu subindo com Joãozinho, que lançou para Vanderlei finalizar, mas Perez defendeu.
O forte meio-campo celeste passou a se impor no jogo, criando chances e recuando o Independiente. Aos 16’ Roberto Batata errou um gol, aos 17’ Dirceu Lopes arrancou com toda velocidade rumo ao gol e foi parado por uma falta na porta da área. Pra quem não sabe, tínhamos Nelinho na equipe, o maior batedor de faltas celeste de todos os tempos, Nelinho mandou a bomba no ângulo abrindo o placar.
No segundo tempo, o nosso meio-campo era imbatível, o ataque era de Joãozinho e a defesa anulava as tentativas adversárias. Mas o segundo gol só veio aos 24’, depois de um escanteio curto, uma troca de passes e o cruzamento pro camisa 7, Roberto Batata, que passou por Pavoni e marcou o segundo. Apesar de manter o domínio de jogo e criar mais chances o placar não foi alterado, terminando em 2x0 outra vez.
Rosário Central 3 x 1 Cruzeiro (03/06/1975)
Precisávamos de um empate para classificar às finais, um empate na Argentina. Se hoje é difícil vencer naquelas terras, naquele tempo era ainda pior, não estávamos acostumados às catimbas em campo, além da torcida sempre atirando objetos nos jogadores adversários. Nada era feito contra a violência dentro ou fora de campo. Não que isto fosse ganhar o campeonato, os dois adversários também eram fortes.
Independiente 3 x 0 Cruzeiro (06/06/1975)
Ilton Chaves foi demitido e Zezé Moreira contratado, o resultado desta história comento no próximo texto.
Libertadores 75 em números:
Jogos: 10
Vitórias: 5
Empate: 1
Derrotas: 4
Gols feitos: 15
Gols sofridos: 15
Originalmente postado em Blog do Cruzeirense.
Frio, lama, catimba, torcida atirando objetos ao campo e uma derrota por 3x1 para o Rosário, o último gol marcado em impedimento. E a delegação celeste ainda teve que ser escoltada para sair do estádio sem ser agredida pelos 22.226 torcedores que assistiram a partida. Ainda havia muita esperança, podendo perder até por 2 gols de diferença para ir às finais.
Independiente 3 x 0 Cruzeiro (06/06/1975)
Aos 5’ Nelinho acertou uma falta no travessão, aos 12’ Dirceu tocou para Palhinha que sozinho com o gol mandou pra fora. O velho ditado iria prevalecer: quem não fez, levou. Aos 35’, de pênalti, os argentinos abriram o placar.
No segundo tempo voltaram ainda mais fortes pressionando por todos os lados e procurando ter seus 3 gols de diferença para classificarem à final. O goleiro Raul resumiu “Sorte nossa eles precisarem só de 3, se precisassem de 5 também fariam”.
Muitos argumentos podem ser usados para explicar o motivo de não termos, mais uma vez, chegado à final, mas tratando-se de Libertadores acho que nunca há uma explicação, é tudo na base da raça, do amor, do valor à camisa. E foi assim ,que 22 anos mais tarde, conquistamos o bi-campeonato com um time não tão promissor, raça! Não que tenha faltado raça àquela equipe, mas sobrou ao Independiente que tinha experiência e já sabia disto, tanto que levou o tetra naquele mesmo ano.
Ilton Chaves foi demitido e Zezé Moreira contratado, o resultado desta história comento no próximo texto.
Libertadores 75 em números:
Jogos: 10
Vitórias: 5
Empate: 1
Derrotas: 4
Gols feitos: 15
Gols sofridos: 15
Originalmente postado em Blog do Cruzeirense.
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