Libertadores 67 – Verás que um filho teu não foge à luta

“1967 o mundo começou, pelo menos pra mim e a minha história reduzida é mais ou menos assim...”

Após derrotar o mítico Santos de Pelé por 6 x 2 na final da Taça Brasil de 1966, o Cruzeiro classificou-se para sua primeira participação na Taça Libertadores da América. Disputou a primeira fase no Grupo 1 contra os times Universitário e Sport Boys, do Peru e os venezuelanos Deportivo Galicia e Deportivo Itália. Em 8 jogos realizados ganhou sete e empatou apenas um: o jogo de volta contra o Universitário por 2 x 2. Classificada em primeiro lugar do grupo, a seleção celeste de Tostão passou às semi-finais. 

Entre a primeira e a segunda fase, o Cruzeiro ficou em 3º lugar do Robertão (Torneio Roberto Gomes Pedrosa) não chegando à final do campeonato, e assim, pode se concentrar nas semi-finais da Libertadores.

Semi-finais 

As semi-finais eram disputadas em grupo. O Cruzeiro enfrentaria o Nacional e o Peñarol, ambos do Uruguai.

Diante de 28.539 torcedores, o Cruzeiro enfrentava Nacional, no Mineirão. Os adversários chegaram com um bom esquema defensivo e muita marcação, aos 40’ do primeiro abriram o placar. A reação foi imediata e aos 42’ Dirceu Lopes mandou um chute na trave, Davi pegou o rebote e mandou pro fundo das redes. 

No segundo tempo, saiu Davi e entrou Evaldo, deixando o time com maior movimentação e confundindo a marcação do Nacional. A virada foi aos 21’, depois de um passe de Tostão, Evaldo marcou o gol da vitória. Cruzeiro 2 x 1 Nacional

O jogo contra o Peñarol parecia ser um pouco menos puxado, mas não mais fácil, 44.660 torcedores foram ao Gigante da Pampulha assistir Tostão, Piazza e Dirceu Lopes baterem o campeão uruguaio. Um time forte em marcação e retrancado, um jogo de muito trabalho para os dois goleiros. O único gol da partida só veio aos 44’ do segundo tempo depois de um cruzamento de Dirceu para Natal concluir. Cruzeiro 1 x 0 Peñarol.


Pedro Paulo desarmando um atacante do Peñarol do Uruguai.

O Cruzeiro liderava a tabela do grupo com quatro pontos – já que cada vitória valiam dois. O time esperava pelos próximos jogos que só ocorreriam em 05 e 09 de Julho, após três jogos da seleção dos quais participariam 6 jogadores Cruzeirenses, dentre os quais apenas Raul não sairia do banco. Os três jogos terminariam em empate. 

Nos jogos ocorridos no Uruguai o Cruzeiro foi eliminado por sua inexperiência, entrando na catimba adversária e intimidando-se pelos famosos caldeirões que são os estádios uruguaios. 

Contra o Peñarol faltou uma postura tática bem definida e era evidente em campo o contraste entre o amadurecido time uruguaio e o iniciante Cruzeiro. Aos 15’ e aos 30’ do 1º tempo o Peñarol marcou seus dois primeiros gols. O placar ficou intocável até o fim da primeira parte do jogo. No décimo minuto do segundo tempo o campeão uruguaio marcou seu terceiro gol. Podia haver inexperiência ou desconcentração, mas a academia celeste dos anos 1960 nunca sairia do estádio Centenário com um placar daqueles. Vestidos de raça e talento, os guerreiros voltaram a brilhar, primeiro Dirceu Lopes marcou o primeiro gol, 4 minutos depois de tomar o terceiro. E depois Tostão voltou a marcar, aos 30’, mas não chegaram ao empate. Peñarol. 3 x 2 Cruzeiro

Depois daquela emocionante partida, o escrete seguiu para enfrentar a segunda potência Uruguaia. Diante de 42 mil pessoas o Nacional fez valer o mando de campo e venceu com um gol aos 40’ – de Morales - do primeiro tempo e outro aos 8’ do segundo, adiando a possibilidade de título do futuro bi-campeão Cruzeiro. 

Tanto Nacional, quanto Peñarol, eram adversários dificílimos e o Cruzeiro não era o favorito dos confrontos, por ser um estreante na Libertadores, mas o ano valeu como um belo aprendizado para o elenco ainda muito jovem, formado por garotos de 20 anos. Tanto valeu que sabemos o mito no qual aquele time se transformou.

Entre Nacional e Peñarol quem chegou à final foi o primeiro perdendo o título para o argentino Racing. Esta passagem do time pela competição sul-americana foi a primeira página imortal de um capítulo especial na história celeste. 


Libertadores 67 em números: 

Jogos: 12 
Vitórias: 9 
Empates: 1 
Derrota: 2 
Gols feitos: 27 
Gols sofridos: 12

Post originalmente publicado em Blog do Cruzeirense

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