Libertadores 1997 – Reconquistando a América
Bastou o sacode de 1994 para que o time não desperdiçasse a oportunidade em 1997. Mentira! Precisamos de muitos sacodes pra não desperdiçar aquela oportunidade. Zezé Perrela já estava no comando do Cruzeiro há dois anos, era a primeira classificação para o torneio desde que ele assumira o cargo de presidente do time. Primeiro veio a conquista do bi da Copa do Brasil, em 1996, em seguida o bi das Américas (1997). Outra página verdadeiramente heroica do time que deu uma virada radical no meio da fase de grupos, com a troca de técnico.
Fase de Grupos
A Raposa começou muito mal, jogando no grupo de Grêmio, Sporting Cristal e Alianza Lima. Sob o comando do técnico Oscar. O primeiro jogo foi contra o Grêmio, no Mineirão uma derrota: Cruzeiro 1 x 2 Grêmio; depois fomos ao Peru encarar o Alianza Lima onde perdemos por 1 x 0; três dias depois já sob o comando do novo técnico, perdeu para o Sporting Cristal também por 1 x 0.
Três derrotas em três jogos, as chances matemáticas eram mínimas. Diante de tanta pressão da torcida o “técnico” Oscar foi demitido – após a derrota para o Alianza - e foi contratado Paulo Autuori, além dos jogadores Gottardo e Marcelo Ramos. Houve uma reunião após a derrota para o Sporting Cristal que reativou os ânimos dos jogadores para que não saíssem de cabeça baixa da competição, o que “criou uma união do grupo que até ali não existia”, segundo Nonato, que diz que a partir dali o time começou a mostrar “força e atitude”. Na reunião o novo técnico afirmou que “de forma alguma o time poderia ficar pelo caminho”.
Primeiro despachamos o Grêmio no Olímpico, por 1 x 0. Depois por 2 x 0 o Alianza Lima e por último o Sporting Cristal por 2 x 1. O time era outro, classificou-se na marra calou os matemáticos. No site da Conmebol a manchete era “Nunca um campeão da Libertadores conseguiu uma arrancada tão supreendente”, “Não está morto quem briga” (Confederação Sul-Americana de Futebol).
Oitavas-de-finais
Nas oitavas pegamos El Nacional, também foi um sufoco. Mas a união do grupo e a vontade de vencer prevaleceram. Primeiro jogo fora, no Equador, derrota por 1 x 0 colocando em xeque os ânimos do time. No jogo de volta, no Mineirão, apenas 19.964 pagantes acreditaram no time de Autuori e foram ao estádio. Com alguma dificuldade o time venceu, marcando um gol e terminando com aquele placar magro mesmo. O resultado levou a decisão aos pênaltis, o que nunca foi uma má notícia enquanto tínhamos Dida defendendo as redes.
O resultado dos pênaltis foi Cruzeiro 5 x 3 El Nacional, graças à nossa Muralha Azul. Resultado que nos colocou de frente com o Grêmio para as quartas-de-finais.
Quartas-de-finais
A torcida acreditava um pouco mais no time, mas ainda tinha seu pé atrás. Mesmo assim um bom púbico, 38.369 pagantes foram à Pampulha receber um de nossos fregueses em jogos decisivos. O apoio da torcida e a união do grupo repercutiram num 2 x 0 sobre o tricolor porto-alegrense.
Fomos ao Sul com a moral em alta encarar o tricolor novamente. Com o apoio da torcida colorada classificamos para as semi-finais depois de uma derrota por 2x1. A esta altura as desconfianças a respeito do time já haviam se apaziguado, a torcida percebia sua importância e a determinação do time em campo, então fomos às semis.
Semi-finais
Para receber o Colo-colo, do Chile o público foi menor: 31.346 herdeiros do manto celeste foram ecoar suas vozes no Mineirão. Fácil ou não saímos vitoriosos da partida com um placar simples de 1 x 0. No jogo de volta o placar foi mais expressivo, um 3 x 2 para o Colo-colo. Não valendo o gol fora de casa como critério de desempate, encaramos os pênaltis mais uma vez. E Dida, outra vez, salvou o time que venceu por 4x1 nos pênaltis.
Finais
Mas ainda faltava enfrentar o Sporting Cristal que vinha de uma ótima campanha depois de bater Velez, golear o Bolivar por 3x0 e o Racing por 4x1.
O primeiro jogo, no Peru, ficou em 0 x 0. Deixando Belo Horizonte por conta da decisão. Então, em 13 de Agosto de 1997 caravanas de todos os cantos de Minas Gerais e até de outros estados seguiram para Belo Horizonte lotando o estádio eram 95.472 pagantes e 102.000 presentes.
Fazia frio na capital mineira.
A torcida fazia a festa na arquibancada ansiosa pra que o time definisse rapidamente o jogo. O primeiro tempo, tenso, terminou em 0 x 0. No segundo tempo o treinador uruguaio substituiu Prince por Alfredo tentando mobilizar melhor seu meio-campo. Depois foi a vez de Paulo Autuori tirar Ricardinho e colocar Da Silva. Passaram-se dois minutos até a segunda substituição peruana, saiu Erick Torres e entrou Roger. Passados três minutos, Elivélton pega o rebote de um escanteio e manda direto pras redes libertando tantos gritos presos em milhões de gargantas.
Os adversários até tentaram o empate ou a virada, com uma terceira substituição: Luís Alberto deu a vaga ao Ismael, mas nada adiantou. No finalzinho da partida Dida fez uma brilhante defesa depois de uma batida de falta do Sporting Cristal, pegando o rebote da mesma. O grito de bi-campeão entalado, desde de 77, na garganta celeste finalmente pôde foi libertado por todas as cidades mineiras. Quem não se lembra do “Ah! Eu to Ma-lu-cô!!” da torcida?
Nosso time foi: Dida, Vitor, Gelson, Gottardo, Nonato, Fabinho, Ricardinho (Da Silva), Donizete, Palhinha, Marcelo e Elivélton.
O Sporting Cristal: Julio Cesar, Jorge Soto, Manuel Marengo, Marcelo Asteggiano, Erick Torres (Roger), Pedro Garay, Nolberto Solano, Julio Rivera, Prince (Alfredo), Julinho e Luis Alberto (Ismael) Bonnet.
Palhinha e Eliveton deram entrevistas marcando o puxão de orelha de Autuori, no vestiário do estádio peruano, do Nacional, como o ponto de partida para a conquista da taça, Palhinha acrescenta “Meu gol contra o Grêmio deu a pista que estávamos vivos”. A vaga nas oitavas-de-final do ano seguinte já estava garantida com aquele título. Tornando a conquista apenas o início de outra página.
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| O capitão Wilson Gottardo levanta a taça de campeão |
Libertadores 97 em números:
Jogos: 14
Derrotas: 6
Vitórias: 7
Empate: 1
Gols feitos: 15
Gols sofridos: 12
*os gols das decisões em pênaltis não foram contabilizados
Originalmente postado em Blog do Cruzeirense.
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