Libertadores 77 - A primeira tragédia

Apenas Cruzeiro e Santos haviam trazido Taças Libertadores para o Brasil. Como fora campeão no ano anterior a Raposa tinha sua vaga garantida já para a segunda-fase da competição (semi-finais). Os outros clubes brasileiros participantes eram Corinthians e Internacional. Apenas o Inter passou à frente e encontrou mais uma vez com nosso querido Celeste, no Grupo B das semi-finais. Do qual apenas um dos três (Cruzeiro, Internacional e Portuguesa (Venezuela)) permaneceria vivo para a decisão. 

Semi-finais 

O nosso primeiro jogo foi contra o Colorado, em Porto Alegre. A data era 3 de Julho de 1977 o time gaúcho apostava na revanche, pela competição anterior, mas quem se deu bem foi o campeão continental, com uma vitória simples por 1 x 0. 

Duas semanas depois, 14 de Julho de 1977, o espetacular Cruzeiro viajou para a Venezuela e bateu o time Portuguesa FC por 4 x 0, mostrando seu potencial e favoritismo. No jogo de volta, quando recebeu o Internacional, diante de 56.940 pagantes, no Mineirão, nenhum dos dois times conseguiu alterar o placar, o jogo terminou em 0 x 0, o que ainda mantinha o Cruzeiro como líder do grupo, e praticamente definia a vaga na final. O Portuguesa precisaria vencer o Inter e o Cruzeiro, ambos no Brasil, se quisesse chegar lá. 

O Internacional bateu por 2 x 1 o time venezuelano adiantando nossa classificação. O resultado (2x1) repetiu no Mineirão, diante de 23.646 torcedores, garantindo mais uma vitória de dois pontos além de impor o respeito de La Bestia Negra. Dando ao Cruzeiro a oportunidade de repetir o feito do Santos, duas Libertadores seguidas.

Finais 

Entre Boca Juniors, Deportivo Cali e Liberdad, o Boca foi o time do Grupo A a seguir para a final, enfrentando o Cruzeiro. 

Boca Juniors 1 x 0 Cruzeiro (06/09/1977 – La Bombonera)

Fomos lá, tremer o caldeirão argentino. Mas vencer em La Bombonera é mitológico, perdemos. Um gol de Veglio, 3’ do primeiro tempo, no lendário goleiro Raul foi o motivo da derrota. Mas não abalava o time para o jogo de volta. 
Boca Juniors: Gatti, Pernía, Sá (Tesare), Mouzo, Tarantini, Veglio, Suñé, Zanabria, Mastrángelo, Pavón (Bernabitti) e Felman. Cruzeiro: Raúl, Nelinho, Darcy Menezes, Morais, Vanderley, Zé Carlos, Eduardo, Ely Carlos, Ely Mendes, Neca e Joãozinho. Arbitro: Cerullo (Uruguai) 

Cruzeiro 1 x 0 Boca Juniors (11/09/1977 – Mineirão) 

Uma vitória nos levaria a terceira partida. Então, 52.842 vozes foram apoiar o Cruzeiro em busca do bi-campeonato. Aos 76’ o time mineiro marcou seu gol da vitória, o responsável foi o inesquecível Nelinho. E assim seguimos para o terceiro jogo em estádio neutro. Cruzeiro: Raúl, Nelinho, Darcy Menezes, Morais, Vanderley, Zé Carlos, Eduardo, Ely Carlos (Livio), Ely Mendes, Neca e Joãozinho. Boca Juniors: Gatti, Pernía, Tesare, Mouzo, Tarantini, Ribolzi Suñé, Zanabria, Mastrángelo, Veglio (Pavón), Felman (Ortiz). Árbitro: Orozco (Peru) 

A lamentável final (14/09/1977 – Centenário) Fomos então ao estádio Centenário, em Montevidéu, disputar a difícil final contra o Boca. O time. que tinha classificado por ser o Campeão Argentino e campeão do Metropolitano Argentino, vinha de uma excelente campanha. Um jogo tão truncado quanto os dois anteriores terminou em 0 x 0, empurrando-nos para a disputa de pênaltis. Para o Boca Juniors: Mouzo, Tesare, Zanabria, Pernía e Felman, bateram e marcaram. Para o Cruzeiro: Darcy Menezes, Neca, Morais e Lívio marcaram. O pênalti batido por Vanderley foi defendido pelo goleiro Gatti, resultando na fatal perda do título. 
Boca Juniors: Gatti, Pernía, Tesare, Mouzo, Tarantini, J.J. Benitez (Ribolzi (Pavón)), Suñé, Zanabria, Mastrángelo, Veglio, Felman. Cruzeiro: Raúl, Nelinho (Mariano), Morais, Darcy Menezes, Vanderley, Zé Carlos,Eduardo, Ely Carlos (Livio), Ely Mendes, Neca, Joãozinho. Árbitro: Llobrgat (Venezuela) 

E foi assim que o Boca Juniors conquistou sua primeira Taça Libertadores, assim que o Cruzeiro chegou à sua segunda final da competição. Os dois times eram muito fortes, os dois mereciam o título, então foi decidido nos detalhes. Mais um aprendizado pra cadernetinha do Cruzeiro, não desprezar os detalhes.

Originalmente postado em Blog do Cruzeirense.

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