Revétria, o carrasco de 1977

Vamos relembrar o maior ídolo do clássico: Heber Carlos Revétria, que jogou no Cruzeiro de 1977 à 1978, fez 63 partidas e marcou 22 tentos. Naquela época o Campeonato Mineiro era disputado em duas fases de pontos corridos, os campeões das duas fases disputavam a final. O Atlético foi campeão da primeira fase e o Cruzeiro da segunda. E foi aí que a história do uruguaio Revétria começou no nosso clube, antes mesmo de estrear.

No dia 25 de Setembro de 1977 Cruzeiro e Atlético faziam a primeira partida da final num Mineirão cheio, com presença de 61.698 pagantes. O Atlético acabou vencendo a partida com um gol de Danival, marcado aos 28’ do primeiro tempo. Os atleticanos encheram o peito pra gritar campeão muito antes da hora, o jogador listradinho Cerezo foi às rádios (leiam: Itatiaia) soltar foguetes antes da hora, disse que enquanto ele e uns outros jogassem ali não perderiam para o Cruzeiro. O clima ficou tenso para a segunda partida.

O Cruzeiro entrou precisando de uma vitória a qualquer custo, era questão de honra, a vitória levaria os times à terceira partida, a “nega”. Era 2 de Outubro, quando o uruguaio recém contratado entrou ao lado de Joãozinho, ninguém ali imaginava que era o estreante quem ia fazer a festa da torcida azul. Com seu black-power, bigode e cordão de medalhinha marcantes o “hermano uruguayo” encaçapou três bolas no fundo das redes alvi-negras. Primeiro Marinho marcou 1x0 pra eles, e Revétria empatou. Já no segundo tempo Revétria marcou mais dois gols decidindo a partida, no final Reinaldo ainda diminuiu o placar. Atlético 2 x 3 Cruzeiro.

A terceira partida ocorreu uma semana depois, no dia 09. Jogo difícil, disputado e tenso. Reinaldo acabou acertando uma bola aos 35’ e colocando o Atlético na frente, diante dos 122.534 presentes. Os times foram ao intervalo com o jogo tendendo ao lado negro da lagoa.

Quando voltaram o gol demorou a sair, até os 70’ quando Revétria marcou o gol inúmeras unhas foram roídas nas arquibancadas. De novo, o uruguaio mudou a história do jogo: empatando o placar. O título foi decidido na prorrogação, na qual nos consagramos campeões marcando 2 gols, com Lívio e Joãozinho.

Há indícios de que atleticanos que compareceram ao jogos da final de 1977 até hoje sonham com gols de Revétria, alguns tentaram resolver o trauma com tratamento psiquiátrico, mas é só chegar perto de um deles e dizer “Revétria” que começam botar ovos. Revétria saiu do Cruzeiro em 1978 e foi para o futebol mexicano, mais tarde encerrou a carreira no River Plate, mas até hoje cultiva relações com o Cruzeiro. Inclusive foi o próprio que nos convidou para aquele Torneio de Verão, no qual também sapecamos as penas do emplumadinho.

*O terceiro jogo é até hoje o terceiro maior público em uma final de Campeonato Mineiro.

Texto originalmente postado em: Blog do Cruzeirense.

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