Estádios Celestes: Barro Preto




Antes mesmo de ficar pronto, o estádio recebeu algumas partidas pelo Campeonato Mineiro como solicitado pela FMF ao clube. Sendo o primeiro jogo em 10 de junho de 1923 e terminando em um empate de 2x2 entre Atlético e Luzitano. O Palestra estreou o estádio no dia 1º de julho com uma goleada de 6x2 sobre o Palmeiras de Santa Efigênia. 

A inauguração oficial foi em setembro, coincidindo com as festas da colônia italiana, em comemoração da unificação da Itália. O jogo inaugural foi contra o Flamengo e terminou em 3x3. A data também foi aproveitada para entregar medalhas aos jogadores (da colônia italiana) campeões com a seleção brasileira da Sul-americana de 1922: Heitor e Bianco (do Palestra Itália paulista) e Friedenreich, do Paulistano. 

“Os jogadores de descendência italiana de maior destaque no futebol paulista, Bianco, Gasparini, Fabi, Loschiavo, Severino e Heitor, que eram sócios honorários do Cruzeiro também foram convidados e marcaram presença na festa de inauguração do estádio.” 


PALESTRA 3 x 3 FLAMENGO (RJ)

Motivo: amistoso
Data: 23/09/1923
Estádio: Barro Preto (Belo Horizonte-MG)
Público: 4.000 (em média)
Árbitro: Henrique Vignal (RJ)
Gols: Ninão (2 gols); Heitor; Benevenuto; Agenor; Mário
Cruzeiro: Cicarelli, Ciccio, Gasparini, Cicarellinho, Severino, Quiquino, Piorra, Nani, Heitor, Ninão, Armandinho
Flamengo: Amado, Pennaforte, Almeida Netto, Durval, Seabra, Dino, Mário, Barbosa Lima, Orestes, Benevenuto, Agenor 

O estádio marcou bastante a história do clube. Foi nele que os primeiros títulos foram conquistados, foi ali que o Palestra passou a aceitar jogadores que não fossem da colônia e transformou-se em Cruzeiro Esporte Clube. A maior goleada do clube até hoje foi aplicada justamente no Estádio Barro Preto: em 1928, 14x0 contra o Alves Nogueira

Em 1945 o estádio foi reconstruído e modernizado. As arquibancadas de madeira das gerais foram substituídas por 11 degraus de cimento e passou a ter uma extensão de 250 metros. E as arquibancadas das sociais também substituídas por cimento, a área foi ampliada. A capacidade de público foi ampliada para 15 mil, tornando-se o maior estádio da capital belo horizontina até a construção do Estádio Independência, em 1950 (25 mil). 

Além das arquibancadas e da capacidade o campo também foi modificado, as laterais mudaram e a drenagem melhorou com a inclinação de 35 cm das laterais, de forma imperceptível – o declive chegava a 0° nas laterais – de maneia proporcional. 

Todas estas mudanças foram bancadas pelos sócios que contribuíram cada um com mil Cruzeiros. A reinauguração do estádio foi em 1° de julho de 1945 contra o Botafogo. Uma disputa acirrada entre os dois maiores atacantes da época Heleno de Freitas e Niginho, o evento bateu recordes de público.






CRUZEIRO 1 x 1 BOTAFOGO (RJ) 

Amistoso – 01/07/1945
Renda: Cr$ 91.000, (recorde)
Árbitro: Carlos Potengy (RJ)
Gols: Niginho 20/1º; Heleno 41/2o
Cruzeiro: Geraldo II (Sinval), Azevedo, Bituca, Bibi, Juca, Juvenal, Nogueirinha (Gabriche), Selado, Niginho, Ismael, Braguinha (Alcides). T: Chico Trindade.
Botafogo: Oswaldo, Gérson (Lusitano), Sarno (Laranjeira), Ivan, Spinelli, Negrinhão, Lula, Tovar, René, Heleno, Tim (Otávio), Bené. T: Bengala
*Sinval levou o gol.
Preliminar (juvenis): Cruzeiro 3 x 1 Guarani AC – Taça “Campeão Absoluto”


Meses mais tarde o estádio, que agora chamava Estádio Juscelino Kubitscheck, inaugurou sua iluminação. O time convidado para o evento o Flamengo, que não veio por conta dos desfalques, mas alegando impossibilidade de pouso no campo de aviação, então quem veio substituir o time foi o América (RJ).


CRUZEIRO 4 x 0 AMÉRICA (RJ) 

Motivo: amistoso 
Data: 21/11/1945 
Estádio: Barro Preto (Belo Horizonte-MG) 
Renda: Cr$ 35.000, 
Árbitro: Aristides Filgueiras (RJ) 
Gols: Braguinha 20/1º; Braguinha 13/2o; Niginho 21/2o; Braguinha 37/2o
Cruzeiro: Geraldo II, Azevedo (Ismael), Bituca, Adelino, Hemetério, Juvenal, Bibi, Nogueirinha, Selado, Niginho, Ismael, Braguinha. T: Chico Trindade. 
América: Vicente, Paulo, Grita, Oscar, Álvaro, Amaro, China, Maneco, Maxwel, Lima, Wilton (Ubaldo) 

O Cruzeiro conquistou naquele estádio nove Campeonatos de Belo Horizonte (1926, 1928, 1929, 1930, 1940, 1943, 1944, 1945 e 1956) e três Campeonatos Mineiro (1959, 1960 e 1961). Recebeu clubes de outros estados e até outros países tendo enfrentado 62 clubes e 7 “selecionados” em suas 478 partidas. Foram 285 vitórias, 96 empates e 97 derrotas, totalizando em 1.370 gols pró e 718 contra. 

Os maiores adversários do Cruzeiro no estádio foram:

AMÉRICA: 70 jogos, 36 vitórias e 16 derrotas
ATLÉTICO: 61 jogos, 24 vitórias, 24 derrotas
VILLA NOVA: 50 jogos, 28 vitórias, 12 derrotas
SETE: 47 jogos, 34 vitórias, 5 derrotas
SIDERÚRGICA: 41 jogos, 21 vitórias, 11 derrotas

*Texto originalmente postado em Blog do Cruzeirense. Revisado.

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