A saga do Cruzeiro na Libertadores
A Copa Santander Libertadores começou a ser disputada em 1960, sua primeira partida terminou com uma goleada de 7 x 1 do Peñarol (que viria se tornar o campeão) contra o Jorge Wilstermann. Neste ano o torneio incluía apenas os campeões de cada um dos países participantes (o representante brasileiro foi o Bahia), os vices só passaram a disputar em 1966, ano que o Brasil não participou por achar que descaracterizava a competição (assim como a Colômbia). Atualmente a classificação já é um pouco mais complexa
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O primeiro time brasileiro a vencer o torneio foi o Santos em 1962, a terceira edição. Tendo goleado duas vezes na fase de grupos, 9x1 em cima do Cerro Porteño e por 6x1 o Deportivo Municipal. O time sagrou-se bi-campeão no ano seguinte.
Em 1969, novamente, o Brasil não se inscreveu na competição por discordar do regulamento, assim como a Argentina, com exceção do Estudiantes de La Plata (Argentina) que entrou nas semi-finais da competição por ter vencido no ano anterior e conquistou então o bi-campeonato. O Brasil continuou sem participar em 1970 pelos motivos do ano anterior (regulamentação do calendário) e por achar que prejudicaria os times com a preparação para a Copa do Mundo. Este foi o ano da maior goleada da Libertadores: Peñarol 11 x 2 Valencia (Venezuela) . Além destas três vezes o Brasil participou de todas as outras edições tendo levado 16 títulos até então.
Cruzeiro na Libertadores
Libertadores de 1967
A primeira participação do Cruzeiro foi em 1967, entrou por ter vencido a Taça Brasil do ano anterior. O vice-campeão da taça (Santos) também tinha direito a participar da competição, mas desistiu. Neste ano o Cruzeiro passou da 1ª fase às semi-finais mas não conseguiu chegar à grande final.
Em 1974 - após um roubo muito escroto do juiz para o Vasco da Gama (o juiz assumiu ter dado o título ao Vasco, depois de se aposentar) - o Cruzeiro ficou como vice-campeão do Campeonato Brasileiro e classificado assim, pela segunda vez, para a Libertadores, em 1975. Eliminou os três times do seu grupo (incluindo o Vasco) e passou às semi-finais onde estagnou-se mais uma vez. Vice-campeão brasileiro de novo voltou ao torneio em 1976.
Libertadores de 1976
Classificado pela terceira vez começava a ser um dos tradicionais na disputa da taça e entrou para ser o segundo time brasileiro a vencer a competição, depois do Santos (13 anos depois). Venceu o Internacional por 5 x 4 no Mineirão, o Olímpia por 4 x1 e também por 4 x 1 o Sportivo Luqueño.
Passou às semi-finais. No dia 13 de Maio morreu Roberto Batata (atacante) de acidente automobilístico. A morte do camisa 7 do Cruzeiro inspirou e uniu a equipe para o jogo seguinte que seria contra o Alianza Lima, no Mineirão. O jogo terminou com um largo placar de 7 x 1¹, o número da camisa de Roberto Batata.
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| Jogadores ajoelhados rezando por Batata, depois de conquistarem a América |
Depois deste jogo, ainda pelas semis² goleou a LDU por 4x1 seguindo para a final contra o River Plate. No primeiro jogo, realizado no Mineirão o placar de 4x1 foi repetido pela 4ª vez na competição. No segundo jogo houve o revés de 2x1, no Monumental de Nuñez. E no terceiro e último jogo da Libertadores daquele ano consagrou-se campeão no estádio Nacional (Santiago) vencendo por 3 x 2.
O terceiro gol celeste foi de uma cobrança de falta bem inusitada, o cobrador da equipe (Nelinho) ia tomando distância da bola quando Joãozinho (um péssimo batedor) deu um chute inesperado na bola marcando o terceiro gol. Após o jogo ainda tomou uma bronca do técnico Zezé Moreira.
Em 1977, pela quarta vez, participou da disputa e perdeu para o Boca Juniors nos pênaltis do terceiro jogo por 5 x 4. Só voltou a competição em 1994, depois de campeão da Copa do Brasil em 1993, parando nas oitavas-de-finais.
Libertadores de 1997
O Cruzeiro conquistou o bi-campeonato da Copa do Brasil em 1996 e voltou ao torneio das Américas em 1997. Longe de ser um dos preferidos ao título perdeu os 2 primeiros jogos e não tinha praticamente nenhuma chance de passar da fase de grupos, o técnico Oscar foi demitido e contratado Paulo Autuori. O novo treinador determinou que de forma alguma o time poderia ficar pelo caminho (no Peru, após derrota para o Sporting Cristal, a terceira).
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| Gottardo levantando a Taça da LA97. |
Depois disto a equipe uniu-se, com um único objetivo. E venceu o temido Grêmio, no Olímpico e as outras duas partidas da fase de grupos, classificando-se para as oitavas-de-finais que passou também sufocado, na disputa de pênaltis. Naquela época o goleiro era Dida, ótimo em defesa de pênatis, e garantiu a vaga nas quartas.
E foi nas quartas que reencontrou com o Grêmio e deixou o tricolor gaúcho para trás (2x0 e 1x2).
Na semi-final passou o Colo-colo de novo nos pênaltis e Dida neles! Até que chegamos à final:
Primeiro o empate em 0 x 0 na casa adversária, depois...
Com 95.472 pagantes e 102.000 presentes foi um jogo tenso contra o Sporting Cristal, aos 30 minutos do segundo tempo após um rebote de uma cobrança de escanteio Elivélton balançou as redes e explodiu a torcida aos gritos de "bi-campeão". Para o frio na barriga de todos, no fim da partida, surgiu uma falta perigosa contra a Raposa, mas Dida estava lá mais uma vez para espalmar a bola e Gottardo (capitão) pode levantar a taça ao som de "Ah! Eu tô maluco!" da torcida.
Desde então a equipe busca seu tri, com muita raça chegou novamente às finais em 2009, mas perdeu o título dentro de casa por uma virada de 2 x 1 do Estudiantes, uma partida que o time pouco valorizou sem ninguém nunca entender o motivo.
Atualmente o time já participou de 12 Libertadores. Em 1976 e 2008 teve o artilheiro da competição, em 76 Palhinha e em 2008 o boliviano Marcelo Moreno.
¹ O placar de 7x1 sobre o Alianza até então era o maior do Cruzeiro na Libertadores, foi batido em 2010, marcando 7x0 contra o Real Potosí pelo segundo jogo da fase conhecida como pré-libertadores.
² A competição tinha um formato diferente e as semi-finais eram parecidas com a fase de grupos, por isto o Cruzeiro jogou com dois times pela fase daquele ano.
Sugestão:

