Cruzeiro 3 x 3 Atlético, 1967

Um dos maiores clássicos da história do Campeonato Mineiro.

Falarei hoje de um dos clássicos RapoCota mais memoráveis de todos os Campeonatos Mineiros, vou falar de um jogo de 1967. E olha que foi difícil escolher este jogo, estava em dúvida de vários anos, quando decidi por 67 não sabia se falava do 3x3 ou do 4x0. Resolvi falar do empate porque foi um dos jogos mais memoráveis de todos Mineiros, ou até de todos os clássicos. Mas o objetivo hoje é o Mineiro, por isso não optei pelo placar mais vistoso.

Era domingo, 26 de novembro de 1967, a capital mineira inteira parava para assistir o maior clássico da cidade, de um lado o Atlético precisava apenas da vitória para sagrar-se campeão, tendo já 5 pontos a frente do rival Cruzeiro, que precisava vencer pra respirar um pouco. Aos 8’ o Cruzeiro perdeu Tostão por uma contusão e a coisa ficou mais difícil, como se não bastasse Procópio foi expulso aos 25’, ainda do primeiro tempo. Enquanto o bicho pegava pro lado celeste a torcida alvinegra só comemorava, e comemorou aos 15’ do segundo tempo um sonoro 3x0 que garantiria o título, os torcedores já provocavam com gritos de “É campeão!” quando Natal diminuiu o placar e silenciou o estádio.

Silenciou nada, em seguida Natal marcou de novo e quem começou a gritar foi a China Azul, empurrando o time pra frente porque ainda havia tempo de empatar e quem sabe até vencer. Cronômetro que passava dos 30’ quando Dirceu Lopes foi empurrado dentro da área e PÊNALTI. O ar quente de novembro sufocava os torcedores alvinegros que poderiam perder ali a chance de conquistar o título antecipadamente, também era pesado para os pulmões celestes e ansiosos, cada segundo durava semanas nos corações da torcida enquanto Piazza preparava para chutar, e... GOOOOOL! Cruzeiro empata heroicamente marcando 3 gols em 15 minutos e ainda tinha tempo de sobra pra virar.

Bola pra cá, bola pra lá, os dois times queriam a vitória. O Atlético não vencia o Cruzeiro desde 26 de junho do ano anterior, tendo perdido desde aí duas vezes e empatado três. O Cruzeiro também precisava da vitória pra encostar no Atlético e buscar o título. Minuto a minuto o jogo ia passando baixo muita cantoria celeste.

Mas ficou nisso mesmo, mais 15 minutos de muita raça e sem gols. A torcida ia esvaziando o Mineirão quando o juiz apita uma falta para o Cruzeiro, 44’ e corre Zé Carlos pra bater, silêncio outra vez, o ar ainda mais pesado, um público de quase 91.000 pagantes assistia o espetáculo. E vem Zé Carlos, olho na barreira, olho na bola, olho no gol e manda a bomba. TRAAAVE!

Quase, quase, quase. E a torcida saiu mesmo com o 3x3. Empate, aliás, que deu fôlego pro Cruzeiro levar o Tricampeonato Mineiro (para completar no ano seguinte e fechar o Tetra). Um dos maiores públicos do Mineirão, um dos maiores jogos, sem dúvida.





FICHA DO JOGO

Data: 26/11/1967
Local: Mineirão (Belo Horizonte - MG)
Motivo: Campeonato Mineiro de 1967
Público: 90.838
Renda: Ncr$ 272.761
Árbitro: Etelvino Rodrigues (SP0
Gols: Lacy 21', Ronaldo 391, Lacy 15' do 2º; Natal 16' e 18' do 2º, Piazza (P) 30' do 2º.
Cartões: Procópio (V).

Cruzeiro: Raul, Pedro Paulo, Viktor, Procópio, Neco, Piazza, Dirceu Lopes, Natal, Evaldo, Tostão (Zé Carlos), Hilton Oliveira. Técnico: Orlando Fantoni.

Atlético: Hélio, Canindé (Dilsinho), Vander, Grapete, Décio Teixeira, Wanderley, Amauri, Buião, Ronaldo, Lacy, Tião. Técnico: Freitas Solich.

Texto originalmente postado em Cruzeiro.org.