Léa Campos, a primeira árbitra Brasileira
A primeira árbitra brasileira foi a mineira Léa Campos, nascida em 1945 na cidade de Abaeté, apesar da carreira de modelo e miss, Léa era uma grande fanática de futebol, tendo participado da fundação da torcida T.O.C.A.: Torcida Organizada do Cruzeiro Acadêmico.
Léa Campos tornou-se jornalista esportiva, cobrindo vários jogos e entrevistando jogares para rádios e jornais mineiros, ela também se formou em educação física. Em 1966, trabalhou no departamento de relações públicas do Cruzeiro Esporte Clube.
Em 1967, depois de assistir todos jogos do Campeonato Mineiro e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, naquele ano, Léa decidiu fazer um curso de arbitragem de futebol. Ao final do curso, Léa fez um teste e foi aprovada, mas isso não era suficiente, a Federação Mineira de Futebol (FMF) tratou a profissão como incompatível para uma mulher e não lhe cedeu o diploma. A partir dali Léa enfrentaria uma longa briga para ter seus direitos respeitados.
A aspirante a juíza consultou o Conselho Nacional Desportivo (CND) e fez vários exames para comprovar que poderia sim apitar jogos, mesmo com os resultados positivos o presidente do CND, João Havelange disse que a estrutura óssea feminina era incompatível e se recusou a ceder-lhe o diploma. João Havelange ainda tentou usar como argumento a proibição de 1941 para que mulheres praticassem " esportes incompatíveis com a natureza feminina". Léa retrucou que a lei não comentava sobre apitar jogos e sim sobre jogá-los.
Em 1971, Léa Campos foi convidada para apitar os jogos do II Campeonato Mundial Feminino, que iria ocorrer no ano seguinte no México. Ela já estava há 4 anos recolhendo assinaturas para receber seu diploma. Utilizando-se da sua carreira de jornalista, ao entrevistar o presidente e ditador Emilio Médici, Léa pediu apoio dele para que ela tivesse possibilidade de viajar ao México e apitar jogos femininos.
Bastou a intervenção do general Médici para que a Federação Mineira de Futebol, em 1972, finalmente certificasse a árbitra. Então Léa viajou para o México e apitou um único jogo, após passar mal retornou ao país, onde passou a apitar jogos em que ela se tornava a principal atração, levando grande público para ver a "mulher que apita jogos".


