A travessia do futebol (parte I)
Não se sabe a verdadeira origem do futebol. Mas por volta de 3000 a.C os chineses se reuniam para chutar a cabeça dos soldados inimigos após a batalha. O que era na verdade um exercício de treinamento, conhecido como tsu-chu. As cabeças dos inimigos foram substituídas por bolas de couro, revestidas com cabelo, dois grupos - de oito jogadores cada -, reuniam-se tentando passar a bola de pé em pé sem deixaá-la cair no chão, jogando-a para dentro de estacas fincadas no chão que ficavam ligadas por um fio de cera.
No Japão antigo também houve outra versão do esporte "chinês", neste era proibida a participação das mulheres, o que era permitido na versão chinesa, o nome é Kemari. O jogo era praticado por integrantes da corte japonesa, com oito jogadores para cada lado, as bolas eram confeccionadas a partir de fibras de bambu e era proibido o contato físico entre jogadores. Há relatos de interação do kemari entre chineses e japoneses.
No século I a.C os gregos criaram a própria versão “do futebol”, nomeada Episkos, em campos de 200m² as partidas eram decididas, com 15 jogadores (de 9 à 15 jogadores) para cada lado, e as bolas eram feitas de bexiga de boi recheadas de areia. Mais tarde, quando o Império Romano tomou a Grécia, os romanos reformaram o esporte tornando-o muito violento. Como o mundo ocidental sofreu muita influência do Império Greco-Romano creio que é a partir do episkos que a idéia milenar de: rolar um objeto esférico com os pés entre dois times marcando pontos para quem colocasse a bola em determinado espaço, tenha se difundido até tomar o formato inglês.
Na Idade Média o soule, praticado por militares da região que atualmente é a França, era um esporte bastante violento, permitindo socos, chutes e empurrões. Há relatos, inclusive, de mortes por violência na prática do esporte. As equipes eram ainda maiores que as do espiskos, com 27 jogadores para cada time. O esporte era uma introdução dos romanos, portanto tinha origens gregas.
A versão italiana do soule era conhecida como gioco del cálcio. O objetivo do jogo era levar a bola até um poste do outro lado do campo. Por conta da violência do jogo o rei Eduardo II decretou uma lei que condenava à prisão quem continuasse praticando o jogo. Ainda assim o jogo continuou, mas agora (1580) com leis que proibiam a violência e eram aplicadas por 12 juízes que acompanhavam a partida. A quantidade de jogadores variava de acordo com o tamanho do campo, não sendo limitada.
Então, os ingleses passaram a comemorar a data da expulsão dos dinamarqueses com uma bola de couro, que simbolizava a cabeça do inimigo. Já no século XVI o esporte tinha tornado-se popular por todo o país, mas era muito violento. Em 1700 finalmente tudo passou a ser finalmente regrado e controlado: o tamanho do campo (120mx180m), a nomeação dos arcos nos extremos do campo: gols. Em 1848 estabeleceu-se um código de regras para o futebol.
A partir de então o esporte começou a encorpar-se, em 1871 foi criada a posição do “guarda-redes”, arqueiro ou goleiro, que era aquele que podia colocar as mãos na bola e devia ficar próximo ao gol. Em 1875 as partidas foram definidas em 90 min. com dois tempos de 45min., 1891 as faltas dentro da área do goleiro passaram a ser convertidas em pênalti. Por fim, em 1907 o impedimento.
A profissionalização do futebol inglês deu-se 1885, no ano seguinte uma organizadora das regras e competições foi criada: a International Board. Em 1888, com o objetivo de criar torneios e campeonatos internacionais foi fundada a Football League. Mas, só em 1897 que o jogo foi levado para fora da Europa, um time chamado Corinthians viajou para o exterior do continente apresentando o jogo à vários países.
Em 1904 o esporte foi popularizado mundialmente com a fundação da FIFA, que até hoje é a instituição que organiza à nível mundial a prática profissional do esporte.
