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A travessia do futebol (parte I)

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Não se sabe a verdadeira origem do futebol. Mas por volta de 3000 a.C os chineses se reuniam para chutar a cabeça dos soldados inimigos após a batalha. O que era na verdade um exercício de treinamento, conhecido como tsu-chu . As cabeças dos inimigos foram substituídas por bolas de couro, revestidas com cabelo, dois grupos - de oito jogadores cada -, reuniam-se tentando passar a bola de pé em pé sem deixaá-la cair no chão, jogando-a para dentro de estacas fincadas no chão que ficavam ligadas por um fio de cera.  No Japão antigo também houve outra versão do esporte "chinês", neste era proibida a participação das mulheres, o que era permitido na versão chinesa, o nome é Kemari . O jogo era praticado por integrantes da corte japonesa, com oito jogadores para cada lado, as bolas eram confeccionadas a partir de fibras de bambu e era proibido o contato físico entre jogadores. Há relatos de interação do kemari entre chineses e japoneses.  No século I a.C os gregos criar...

Era uma vez estatístico

O historiador esportivo Henrique Ribeiro , que trabalhou no departamento histórico do Cruzeiro contabiliza 455 jogos entre Cruzeiro e Atlético e um (1) possível jogo de 1922 cujos pontos foram concedidos ao Cruzeiro, mas não há placar registrado, portanto é possível que o Atlético tenha preferido não disputá-lo já que não havia mais possibilidades de levar o campeonato.  Sendo assim o Cruzeiro afirma que foram 455 jogos. Já o Atlético contabiliza 473 partidas entre os dois times. O pesquisador Henrique Ribeiro retruca que os jogos a mais considerados pelo Atlético eram de juvenil, sem juiz ou amistosos em tempo irregular, não merecendo entrar no critério. Mas nem sequer isso os historiadores atleticanos afirmam, apenas insistem em seus números.  Por isso obviamente trabalharei com os números do escritor do Almanaque do Cruzeiro, nosso querido Henrique Ribeiro. São 158 vitórias celestes, 178 derrotas e 120 empates. Perceberam que apesar de nascer 13 anos depois dos alv...

Taça Brasil 1966 - O reconhecimento a nível nacional

A Taça Brasil partia para sua oitava edição, a segunda com participação do Cruzeiro. Logo na primeira edição o Bahia tinha faturado o título, sobre o Santos, quebrando parte da cristalização que havia em torno dos clubes dos estados Rio de Janeiro e São Paulo; a segunda edição sagrou o Palmeiras campeão nacional; da terceira até a sétima o escrete do “Santos do Rei Pelé” havia faturado tudo.  O Bahia até tentou levar o título em cima do Santos outras duas vezes (1961 e 1963), mas nem o “Botafogo de Garrincha e Nilton Santos” conseguira o feito (1962), o Flamengo (1964) e o Vasco (1965) também tentaram, mas ninguém escapou de goleadas no Pacaembu.  1966  Escondida nas alterosas das Gerais havia uma única seleção destinada a parar a bola “do campeão de todos os anos”, o campeão mineiro Cruzeiro Esporte Clube, quando digo seleção me refiro à um time que poderia ser integralmente convocado para qualquer Copa do Mundo sem pestanejar, seus nomes:  Raul; Pe...

Libertadores 1998 – Acordando antes de sonhar

Ao conquistar a Libertadores de 1997 o Cruzeiro garantira sua vaga na edição do ano seguinte. Entre as duas competições ocorreram muitas coisas: o time bi-campeão da Libertadores ficou à 4 pontos do rebaixamento no Campeonato Brasileiro,  o técnico Paulo Autuori deixou o cargo de técnico do Cruzeiro para defender o Flamengo.  Considero aquela como a pior participação do Cruzeiro em Libertadores. Até hoje a única edição em que não obtivemos nenhuma vitória, única edição em que participamos de apenas uma fase, no caso, as oitavas de finais.  Fomos facilmente eliminados pelo Vasco, que mais tarde seria o campeão da edição, com uma derrota por 2 x 1 e um empate sem gols no Mineirão, diante de quase 63.000 pagantes. Tudo bem que o Vasco ainda passaria por Grêmio e River Plate até bater o Barcelona (Equador), na final, e sagrar-se o campeão. Ou seja, não perdemos para “qualquer time”, perdemos para o futuro campeão daquela edição.  Fomos eliminados antes mes...

Libertadores 1997 – Reconquistando a América

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Bastou o sacode de 1994 para que o time não desperdiçasse a oportunidade em 1997. Mentira! Precisamos de muitos sacodes pra não desperdiçar aquela oportunidade. Zezé Perrela já estava no comando do Cruzeiro há dois anos, era a primeira classificação para o torneio desde que ele assumira o cargo de presidente do time. Primeiro veio a conquista do bi da Copa do Brasil, em 1996, em seguida o bi das Américas (1997). Outra página verdadeiramente heroica do time que deu uma virada radical no meio da fase de grupos, com a troca de técnico. Fase de Grupos   A Raposa começou muito mal, jogando no grupo de Grêmio, Sporting Cristal e Alianza Lima. Sob o comando do técnico Oscar. O primeiro jogo foi contra o Grêmio, no Mineirão uma derrota: Cruzeiro 1 x 2 Grêmio; depois fomos ao Peru encarar o Alianza Lima onde perdemos por 1 x 0; três dias depois já sob o comando do novo técnico, perdeu para o Sporting Cristal também por 1 x 0.  Três derrotas em três jogos, ...

Libertadores 94: O recomeço

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Depois de perder a final da Libertadores de 1977 e passar pela pior década da história celeste (80), o Cruzeiro voltou a brilhar cada uma de suas cinco estrelas vencendo o Grêmio pela Copa do Brasil de 1993 e classificando-se para a Libertadores do ano seguinte.  Nota-se que o time de 1993-1994 com Nonato, Dida e Ronaldo era um bom time, ficamos 26 jogos invictos no Mineirão, ganhamos o Campeonato Mineiro de 1994 invictos batendo a “temida ‘Selegalo’” . Mas ainda assim havia quem duvidasse do time para o difícil grupo da Libertadores.  No grupo: seu carrasco da última participação: Boca Juniors, além de Velez e Palmeiras. O “desacreditado” Cruzeiro ficou em segundo lugar com 7 pontos: 3 vitórias, 1 empate e 2 derrotas¹.  A estréia do Cruzeiro, em 2 de Março de 1994, foi uma derrota por 2 x 0 para o Palmeiras, no Palestra, incendiando ainda mais a mídia e suas argumentações de que o time era um mero figurante. Contra o Velez, no Mineirão, apenas empatou por 1...

Libertadores 77 - A primeira tragédia

Apenas Cruzeiro e Santos haviam trazido Taças Libertadores para o Brasil. Como fora campeão no ano anterior a Raposa tinha sua vaga garantida já para a segunda-fase da competição (semi-finais). Os outros clubes brasileiros participantes eram Corinthians e Internacional. Apenas o Inter passou à frente e encontrou mais uma vez com nosso querido Celeste, no Grupo B das semi-finais. Do qual apenas um dos três (Cruzeiro, Internacional e Portuguesa (Venezuela)) permaneceria vivo para a decisão.  Semi-finais   O nosso primeiro jogo foi contra o Colorado, em Porto Alegre. A data era 3 de Julho de 1977 o time gaúcho apostava na revanche, pela competição anterior, mas quem se deu bem foi o campeão continental, com uma vitória simples por 1 x 0.  Duas semanas depois, 14 de Julho de 1977, o espetacular Cruzeiro viajou para a Venezuela e bateu o time Portuguesa FC por 4 x 0, mostrando seu potencial e favoritismo. No jogo de volta, quando recebeu o Internacional, diante d...